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 Em foco: Diocese de Beja premiada pela Fundação Calouste Gulbenkian  
Enviado por: Nuno_Sousa - Segunda, 02 de Fevereiro de 2009
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Salvaguarda e requalificação do património histórico e religioso está na base do reconhecimento
 O Departamento do Património Histórico e Artístico (DPHA) da Diocese de Beja recebeu o Prémio Vasco Vilalva 2008 pelo seu contributo em defesa do património religioso da região, sobretudo através da recuperação de igrejas históricas, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian.
Trata-se do reconhecimento de um trabalho de 25 anos, “essencialmente feito por voluntários numa diocese predominantemente rural e desertificada”, explica José António Falcão, Director do Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja (DPHADB) à Agência ECCLESIA.
Mas este reconhecimento tem também outras dimensões. O DPHADB desenvolve sobretudo a salvaguarda, o estudo e a valorização do património cultural do Baixo Alentejo. O director aponta a dimensão pedagógica que o prémio pode ter no sentido de “alertar a opinião pública e a sociedade em geral para a importância que o património religioso tem no universo do património cultural português”. Este prémio “valoriza a excelência do património da região, com uma diversidade e uma multiplicidade de aspectos que o tornam referência europeia”.
José António Falcão assume o prémio como um sinal de esperança “na preservação do mundo rural, claramente ameaçado”.
Desertificação humana, o declínio das actividades produtivas tradicionais “não criando nem fixando activos humanos e o património sem pessoas dificilmente sobrevive”, mas também a necessidade de reabilitar edifícios que não têm uso cultual e se encontram fechados 365 dias por ano, entre problemas recorrentes, como os furtos e o vandalismo, são a realidade encarada pelo DPHADB. O seu trabalho não se limita ao âmbito rural. Incide também na área urbana de Beja, assim como em outras cidades e vilas da região. Mas actualmente, “é sobretudo no património rural que o trabalho se repercute, pois são locais onde se sentem maiores ameaças”.
Reconhecendo que o património não vive por si, José António Falcão indica ser necessário atrair público e criar hábitos culturais. “O património é um veículo para uma realização mais profunda das pessoas”. Sendo um departamento da diocese da Igreja Católica, este trabalho é também um importante “instrumento de evangelização”.
O esforço feito tem colhido respostas positivas. O director do departamento frisa maior afluência de pessoas “a circular pelas igreja históricas do Baixo Alentejo, mas também a participar das actividades que se realizam na região”, exemplo do «Festival Terras sem Sombra» que vai já na sua 5ª edição.
A Fundação Calouste Gulbenkian é actualmente uma das principais fundações europeias. “O que notabiliza, ultrapassa fronteiras”, sublinha José António Falcão que sublinha ainda o reconhecimento como “um estímulo para que outras organizações da sociedade civil continuem a desempenhar a sua função”.
“Não podemos esperar que seja apenas o sector público a encarregar-se do património, que diz respeito a todos”. O director do DPHADB acrescenta ainda que “a Europa tem experiências muito interessantes nesta área a que Portugal, pouco a pouco, se vai juntando com êxito”.
O prémio, atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian será entregue no dia 3 de Fevereiro, às 11h30, na Sala do Capítulo do Convento de S. Francisco (actual Pousada), na presença da condessa de Vilalva, do Bispo de Beja, D. António Vitalino Dantas, do Bispo Emérito, D. Manuel Franco Falcão, do presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Emílio Rui Vilar e da administradora Teresa Gouveia.
O Prémio Vasco Eugénio de Almeida, Conde de Vilalva – mecenas a quem a arte e a cultura do país muito devem –, destinando-se a assinalar intervenções exemplares em bens móveis e imóveis de valor cultural que estimulem a preservação e a recuperação do Património.
O Prémio Vasco Vilalva 2008 é a quarta distinção atribuída ao DPHADB, depois do Prémio Europa Nostra para a Salvaguarda do Património Cultural, atribuído pela União Europeia, em 2005. O DPHA já tinha sido distinguido pelo Ministério da Cultura, com a Medalha de Mérito Cultural, em 2001, e pela Câmara de Beja, com a Medalha de Mérito Municipal, em 2001.
Fonte:

Agência Ecclesia

 
   

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