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Sem Espírito ou com Espírito?


1-Com a solenidade do Pentecostes, cinquenta dias depois da Páscoa, o Tempo Pascal chega à sua plenitude. Herdado do povo hebreu que o celebrou primeiro como festa das ceifas e depois como memorial da Aliança do Sinai, o Pentecostes é para nós cristãos a efusão do Espírito Santo sobre a Virgem Santíssima e os apóstolos reunidos em oração no Cenáculo. Este acontecimento deu início à pregação apostólica e tornou visível perante o mundo a Igreja nascida do mistério da Cruz, o povo da Nova Aliança selada no sangue de Cristo. O Espírito Santo prometido por Jesus foi enviado do Céu por Ele e pelo Pai e os apóstolos puderam recebê-l’O, não apenas como uma energia que capacita alguém para uma missão, como acontecia no Antigo Testamento, mas como Pessoa Divina, como Paráclito, como Guia e Mestre interior que, habitando neles, os encheu de alegria e de fortaleza para anunciarem ao mundo o Evangelho da Salvação. Puderam recebê-l’O porque estavam esvaziados de si mesmos, dos seus projetos e desejos mundanos de autorrealização e porque perseveravam unânimes em oração com Maria Mãe de Jesus.


2- Ao convocar o Segundo Concílio do Vaticano, São João XXIII desejou ardentemente que ele fosse um novo Pentecostes que refundasse a Igreja e refontalizasse a vida cristã, tal como aconteceu várias vezes ao longo dos séculos. Discernindo o que estava a germinar na Europa do pós-guerra, deu-se conta de que o tempo da cristandade se aproximava do fim e era necessário e urgente que a Igreja se preparasse para enfrentar os novos tempos tornando-se mais consciente da sua identidade e da sua missão.

 Muitos temeram e alguns temem ainda que este processo de renovação impulsionado pelo Concílio leve a Igreja Católica a descaraterizar-se. É verdade que nem sempre alguns pastores e fiéis têm conseguido distinguir o que é substancial do que são apenas formas passageiras, próprias de uma determinada época; mas, cinquenta anos depois do encerramento do Concílio, é possível vermos como a Igreja se vai transformando paulatinamente em casa e escola de comunhão como preconizou S. João Paulo II, e ganha novo ardor apostólico para sair de si mesma e levar o Evangelho a tantos homens e mulheres que vivem sem esperança e sem Deus no mundo. (Ef.2,12) É nossa missão, neste tempo, levar por diante este programa de renovação se quisermos ser dóceis ao Espírito Santo. Não é isto mesmo que o Papa Francisco nos propõe com insistência na Evangelii Gaudium e em muitas outras intervenções suas?


3- Os dois primeiros capítulos do livro dos Atos dos Apóstolos indicam-nos com muita clareza o programa básico da renovação da Igreja, aquilo que é indispensável para que, nas diversas formas de cada época seja sempre ela mesma, como no princípio: Maria e os Apóstolos em oração no Cenáculo, efusão do Espírito Santo, anúncio da Boa Nova, Conversão e Batismo. A vida cristã a que se tem acesso por esta única porta é sustentada pelos quatro pilares descritos a seguir: escutar o ensinamento dos apóstolos, cultivar a comunhão fraterna, participar na fração do pão e nas orações. (Cf. At2,42) Estes pilares são, por isso mesmo, a estrutura básica da Iniciação Cristã e de toda a catequese: Credo, Mandamentos, Sacramentos e Oração. Não há verdadeiro Cristianismo sem este percurso e sem estes pilares. Não pode haver comunhão eclesial sem Batismo, nem Batismo sem conversão. A conversão é a resposta positiva de quem escutou o anúncio do Evangelho e, para que este anúncio aconteça e seja eficaz, é necessária a ação do Espírito porque, como escutaremos na segunda leitura da missa de Pentecostes, ninguém pode dizer Jesus é o Senhor a não ser pela ação do Espírito. (1Cor.12,3) Também não pode converter-se e receber a fé cristã quem não aceita o testemunho que o Espírito Santo dá ao seu espírito. Não pode haver evangelização nem sacramentos nem amor fraterno, nem Igreja sem a ação do Espírito Santo. Ele é a alma da Igreja, e é por meio d’Ele que o Senhor constrói a Sua casa. É, por isso mesmo, rematada loucura e trabalho inútil querer edificar a Igreja sem Ele.


4-Igreja sem Espírito Santo é Igreja moldada pelo espírito mundano, sem verdade e sem amor e incapaz de fazer resplandecer a glória de Deus no mundo. Em vez de ser morada de Deus no meio dos homens é antes uma versão religiosa da torre de Babel com as suas típicas confusões. Quando se manifestam na sua verdade, a vida cristã e a Igreja surgem aos olhos do mundo como um prodígio, como um deslumbramento, como uma realidade divina que se aceita com gratidão e alegria… ou se combate. Porque não se manifesta em tantas das nossas paróquias e comunidades a alegria e a força do Espírito Santo? Como transformar estes restos de cristandade em comunidades vivas, capazes de anunciar o Evangelho?

Também hoje, Cristo Ressuscitado aparece no meio de nós para nos dizer: a paz esteja convosco! Recebei o Espírito Santo! (Jo.20,19.22) Porque temos medo de O acolher? Ele é o Espírito de Deus, Espírito de Vida e de Amor que tem o poder de fazer novas todas as coisas! Porque Deus O dá apenas àqueles que Lh’O pedem, esvaziemo-nos de nós mesmos e oremos com humildade e confiança: Vinde Espírito Santo, vinde Espírito Criador, convertei os nossos corações, santificai esta Igreja que somos e, por meio dela, renovai a face da terra! Amen!

Quarta, 20 de Maio de 2015