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Quando S. Paulo chegou a Éfeso, encontrou alguns cristãos que nunca tinham ouvido falar do Espírito Santo e apenas tinham recebido o batismo de João Batista. Nós, cristãos, fomos todos batizados em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo; mas destes milhões de pessoas batizadas na fé cristã, quantas se deixam conduzir pelo Espírito, quantas O adoram e glorificam, quantas O conhecem? Olhando para as nossas paróquias e comunidades cristãs onde tantas vezes, em vez da comunhão e da caridade fraterna encontramos divisões, invejas e contendas, reivindicações e luta pelos primeiros lugares, devemos perguntar-nos se realmente conhecemos o Espírito Santo e queremos dar-Lhe o lugar que Lhe pertence.

Sem Espírito Santo não há Igreja nem vida cristã, como se vê claramente no livro dos Atos dos Apóstolos. Conta-nos S. Lucas que os discípulos perseveravam em oração com Maria, Mãe de Jesus e que, no dia de Pentecostes, o Espírito Santo desceu sobre eles, transformou-os e capacitou-os para anunciarem o Evangelho. A sua pregação suscitou a fé e a conversão de muitas pessoas que foram batizadas e integraram a primeira comunidade cristã, na qual viveram e testemunharam ao mundo uma comunhão admirável. Foi assim a primeira manifestação da Igreja ao mundo. Por obra do Espírito Santo o Verbo incarnou, fez-se Homem; por obra do Espírito Santo a Igreja surge na terra como Corpo de que Cristo é a cabeça, para continuar a sua missão até ao fim dos tempos, guiada e sustentada pelo mesmo Espírito. Quem é o Espírito Santo?

Jesus revelou aos discípulos que o Espírito Santo é uma Pessoa Divina, a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, o Espírito do Pai e do Filho. O Espírito Santo é Deus Criador e Senhor com o Pai e o Filho. Ele é, diz S. Bernardo, “o abraço do Pai e do Filho, vínculo indissolúvel, amor inseparável, unidade indivisível do Pai e do Filho”. Suma Beleza, Esplendor da Verdade e do Bem, Ele tem a missão de nos santificar, levando à plenitude a obra da Redenção. Ele é a presença misteriosa de Deus atuante na Igreja e no mundo para tornar visível a glória de Deus que é o homem reconciliado e dinamizado pela fé, pela esperança e pela caridade, na comunhão da Igreja.

Já no Antigo Testamento o Espírito Se manifestara como uma energia, uma força divina comunicada a homens e mulheres eleitos por Deus para exercerem uma missão concreta em favor do seu povo como juízes, reis e sacerdotes. D’Ele se fala também como o “sopro de Deus” que no princípio pairava sobre as águas, o “dedo de Deus” e “mão de Deus” que realiza prodígios. A água que dá vida, o fogo que purifica e aquece, o óleo perfumado (crisma) que unge os eleitos de Deus, eis alguns dos símbolos da presença e da ação do Espírito Santo. No Antigo Testamento manifestou-Se quase sempre em pessoas individuais mas o Senhor fez a promessa de que, na plenitude dos tempos, todo o Israel e o mundo inteiro seriam inundados pelo seu Espírito, graças a uma Aliança Nova e Eterna, dando assim início a uma Nova Criação. Esta promessa tornou-se realidade quando Jesus, oferecendo-Se em sacrifício na Cruz, morrendo e ressuscitando, Lhe abriu caminho e, juntamente com o Pai, O derramou sobre os apóstolos no dia de Pentecostes. O sangue de Jesus foi o preço pelo qual a humanidade pode receber agora o dom inestimável do Espírito divino.

 No capítulo IV da Lumen Gentium, o Concílio fala assim do Espírito Santo:

         “Terminada a obra que o Pai confiou ao Filho, foi enviado o Espírito Santo no dia de Pentecostes para santificar continuamente a Igreja e deste modo os fiéis terem acesso ao Pai, por Cristo, num só Espírito. Ele é o Espírito da vida, a fonte da água que jorra para a Vida Eterna. Por Ele, o Pai dá a vida aos homens mortos pelo pecado até que ressuscite em Cristo os seus corpos mortais. O Espírito Santo habita na Igreja e no coração dos fiéis como num templo, e dentro deles ora e dá testemunho de que são filhos adotados por Deus. A Igreja que Ele conduz à verdade total e unifica na comunhão e no ministério, enriquece-a Ele com diversos dons hierárquicos e carismáticos e adorna-a com os seus frutos”.

Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica. É Ele quem a congrega, a dinamiza e a faz ser una, santa, católica e apostólica. Formada de homens e mulheres pecadores, a Igreja é uma comunhão espiritual só possível porque no meio dela se manifesta o Espírito de Jesus ressuscitado como fonte de perdão e de paz. Nela, como ensina S. Paulo, “há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o Espírito para a utilidade de todos” (1Cor.12,4-7). Para apreciarmos e respeitarmos os diferentes carismas presentes nas nossas paróquias, precisamos de recordar com frequência estas palavras de S. Paulo. O Espírito Santo é só um. Sem Ele, a Igreja seria um corpo sem alma, incapaz de realizar a sua missão. Ele é quem suscita a Palavra e dá eficácia à pregação, atua nos Sacramentos e a fortalece para testemunhar que o Reino de Deus já está no mundo como fermento transformador de todas as realidades humanas.

É no seio da Igreja que o Espírito é comunicado a cada um de nós para nos guiar até à verdade plena e nos fazer crescer na gloriosa liberdade dos filhos de Deus. É por Ele que reconhecemos Cristo como Senhor; Ele é quem dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos adotivos de Deus e vem em ajuda da nossa fraqueza para nos ensinar a orar: unidos por Ele a Cristo e aos irmãos podemos dizer com verdade “Pai Nosso”! Mestre interior, Dom do Pai por excelência, Ele é o doce Consolador daqueles que lhe abrem o coração. É por Ele que nos vem a sabedoria, o discernimento, a fortaleza, a piedade e os outros dons que produzem em nós os frutos saborosos da alegria, da bondade, da humildade, do gozo, da paz, da mansidão, da castidade, próprios de quem vive enxertado em Cristo. É pelo Espírito que vive em nós que podemos estar no mundo sem ser do mundo, sem nos deixarmos moldar pelo mundo que, como Jesus disse aos apóstolos, não conhece o Espírito Santo nem O pode receber. (Cf. Jo.14,17)

Somos cristãos. Fomos batizados em Cristo e ungidos pelo Espírito Santo. Somos templos do Espírito Santo. Adora-O, ama-O, obedece às suas inspirações, não O entristeças com palavras ou ações pecaminosas e verás como Ele te fará crescer no temor e no amor confiante e te livrará do desespero, da obstinação no pecado, da inveja, da mentira e de tudo o que leva à perdição. Se andas triste, sem paz, mergulhado no pecado, isolado dos outros, precisas de te reconciliar com Deus e com a Igreja para receberes o Espírito Santo. Pede-O a Jesus e ao Pai com insistência. Tudo o mais, Deus o dá a todos, conforme entende, também aos que não rezam nem O conhecem. Mas o Espírito Santo apenas O dá aos que Lho pedem. (Cf. Luc.11,13) Deixa que o Espírito dilate o teu coração para que a tua vida não seja mesquinha e estéril e se torne, segundo a palavra do Senhor, uma nascente de vida para os outros. Guarda no teu coração esta promessa de Jesus:

“Se alguém tem sede venha a Mim, e beberá aquele que crê em Mim! Do seu seio jorrarão rios de água viva!” Ele falava do Espírito que deviam receber aqueles que n’Ele tinham acreditado. (Jo.7,37-39)

Espero que estas palavras te tenham ajudado a ver como precisas do Espírito de Deus na tua vida. Agora sabes onde e a quem O podes pedir.

J. Marcos                       
Sexta, 20 de Março de 2015