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É impressionante a quantidade de livros que hoje se escrevem acerca de Jesus. O discurso da maioria deles resume-se em poucas palavras: “Jesus não é o que tu pensas; a Igreja tem andado a enganar o mundo inteiro com a imagem falsa que d’Ele fabricou para dominar as pessoas. Eu vou contar-te a verdade toda.”Apresentam-se como reveladores da Sua verdadeira identidade e da Sua história baseados em pretensos documentos que a Igreja escondeu; mas, na prática, trata-se de fantasia literária e o seu objetivo é ganhar dinheiro à custa dos ignorantes e destruir os restos da fé cristã de quem os lê. Muita gente vai no engodo dessa literatura de cariz gnóstico que se lê com agrado e, quando se julga esclarecida e sabedora da verdade acerca de Cristo, está afastada da Verdade que é Cristo e da Igreja que é o seu corpo. Cristo sem a Igreja é apenas uma figura do passado, e uma Igreja sem Cristo ressuscitado não é mais do que uma organização humana. Também aqui, e sobretudo aqui, “não separe o homem o que Deus uniu.”

Somos cristãos, acreditamos em Cristo. Professamos com toda a Igreja a mesma fé recebida dos apóstolos de acordo com a Revelação contida nas Escrituras Sagradas do Antigo e do Novo Testamento e na Tradição viva da Igreja. A nossa fé em Cristo está resumida no núcleo central do Credo que desenvolve a primordial profissão de fé de Pedro: “Tu és o Cristo, o filho de Deus vivo” (Mt.16,15-17) que os cristãos dos primeiros séculos resumiram na figura de um peixe dado que as letras da palavra peixe em grego são as iniciais das palavras desta frase: “Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador”. Quem é Jesus?

Acreditamos firmemente que Jesus de Nazaré é o Cristo, o Ungido de Deus, o Messias Salvador prometido por Deus ao povo de Israel para salvar o mundo. Sendo Filho de Deus, gerado por obra do Espírito Santo no seio da Virgem Maria, Jesus Cristo é Deus e Homem verdadeiro, tal como a Igreja nos ensina. Se fosse apenas homem, como poderia salvar-nos e dar-nos a vida divina? E se fosse Deus e não homem, como seria Ele a descendência da mulher que esmaga a cabeça da serpente, como poderia chamar-nos seus irmãos, como poderia a sua morte na Cruz ser resposta da humanidade ao amor do Pai? Se não fosse homem, como poderia ser o Sumo-Sacerdote misericordioso, conhecedor das nossas fraquezas e dores e Mediador perfeito entre Deus e nós? Ele é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, tem a natureza divina e a natureza humana, sendo uma única pessoa. Não é um herói, um homem promovido à condição divina; é o Filho Unigénito de Deus eternamente gerado pelo Pai, que saiu do Pai, veio ao mundo e regressou ao Pai. Ele é o Verbo Eterno, a Palavra do Pai pela qual todas as coisas foram criadas. Sendo Deus, por obediência amorosa ao Pai esvaziou-se a si mesmo, não se apegou à Sua dignidade, desceu do Céu e fez-se homem para nos salvar. Encarnou, assumiu a nossa condição humana no seio da Virgem Santa Maria que, por isso, reconhecemos como Mãe de Deus. Porque é Deus nós O adoramos e glorificamos com o Pai e o Espírito Santo que são com Ele o único Deus verdadeiro, a Santíssima Trindade.

Depois de trinta anos vividos em Nazaré, Jesus foi batizado no Jordão por João Batista e anunciou, por palavras e obras, a chegada do Reino de Deus que instaurou na Páscoa da Nova Aliança, selada com o Seu Sangue, na Sua morte e Ressurreição. O povo de Israel esperava um Messias guerreiro que o libertasse da dominação romana e desiludiu-se com a sua humildade e mansidão não resistindo aos malvados, carregando com os pecados dos outros e morrendo inocente no meio de malfeitores sem se defender, sem se salvar a si mesmo. Ele é o Servo sofredor, profetizado por Isaías, o Homem das dores que trouxe às nações a justiça nova, o mandamento novo do amor. Ele é o Bom Pastor que deu a vida pelas suas ovelhas e o Cordeiro de Deus que tirou o pecado do mundo. Ele é o novo Moisés que libertou da escravidão do pecado a humanidade inteira e o novo Adão que pela Sua obediência ao Pai nos abriu as portas do paraíso fechadas pela desobediência do primeiro Adão. A Sua Cruz revela-nos as terríveis consequências do nosso pecado; revela-nos sobretudo a imensidão do amor de Deus por nós pecadores.

Jesus entregou-se inteiramente nas mãos do Pai, e o Pai ressuscitou-O, não O abandonou na morte. Ressuscitou-O e glorificou-O à sua direita, constituiu-O Senhor e deu-Lhe o nome mais alto que existe, o único nome que tem poder para salvar e para dar vida eterna a quantos O invocam com fé. Por isso, Jesus Cristo é o Rei da glória, o Vencedor da morte e do pecado, o Caminho, a Verdade e a Vida, Aquele que pode introduzir-nos na alegria da comunhão divina. Os discípulos viram o Seu túmulo vazio, viram-no depois várias vezes ao longo de quarenta dias convivendo com eles, viram-no subir ao Céu e receberam o Espírito Santo que lhes tinha prometido para poderem realizar a obra imensa de anunciar o Evangelho a toda a criatura, em todos os tempos e lugares. Agora, glorificado à direita do Pai, Jesus exerce o Seu sacerdócio intercedendo por nós. Sabemos que virá glorioso no fim dos tempos para julgar os vivos e os mortos e para se apresentar ao Pai com toda a humanidade redimida e santificada, e assim estaremos sempre com o Senhor. Este é o objeto da nossa esperança. Grande maravilha será! Grande maravilha é, já neste mundo, vivermos unidos a Ele, apoiados na sua misericórdia, na sua fidelidade e no Seu poder.

Feliz de quem acredita em Jesus, porque encontra n’Ele a verdadeira vida! Acreditar n’Ele é aceitá-lo como único Senhor, Salvador e Mestre, é segui-lo como discípulo. Sem nos convertermos pessoalmente a Ele, sem cortarmos com o pecado, não é possível vivermos a vida de filhos adotivos de Deus que Ele nos oferece. Mas ninguém é cristão sozinho. Só como membros da Igreja, corpo de que Ele é a cabeça, crescemos na fé, na esperança e na caridade. Pouco a pouco, a sua vida dá forma à nossa vida e tornamo-nos um só com Ele para, no Seu Espírito, vivermos amando a Deus e ao próximo. É cristão quem ama Jesus Cristo, quem vive unido a Ele praticando a justiça nova do Sermão da montanha, e quem reconhece a Igreja como mãe. Tornamo-nos cristãos renascendo das águas do Batismo nas quais fica sepultado o homem velho. Mas aquilo que é realizado sacramentalmente deve acontecer no concreto da nossa vida e, por isso, precisamos de aprender a levar sempre no nosso corpo o morrer de Jesus para que se manifeste também em nós a sua vida de ressuscitado. Feliz de quem ama Jesus Cristo! Pobre de quem O não conhece, porque caminha nas trevas, não sabe quem é nem para onde vai.

Se realmente te deslumbra a luz de Cristo e vês que o mundo precisa do fogo que Ele veio acender na terra, leva a sério a tua vida cristã. Não tenhas medo de arder nesse fogo de amor, nessa sarça que arde sem se consumir que é a Igreja. Nela descobrirás, como Abraão, o Cordeiro que dá ao mundo a vida abundante que incessantemente recebe do Pai. Então conhecerás Jesus e serás conhecido por Ele, e porque Ele viverá em ti e tu n’Ele, em ti mesmo terás o testemunho que o Pai deu acerca do seu Filho. Então também tu, pelo Espírito que habita em ti como num templo e dá testemunho ao teu espírito, poderás proclamar ao mundo que Jesus Cristo é o Senhor!

                                                            J. Marcos
Quinta, 26 de Fevereiro de 2015