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“Acreditar em Deus?! Isso era antigamente, quando as pessoas eram crédulas e infantis a vida inteira, mas hoje não faz sentido. Eu sou uma pessoa evoluída, sou dono de mim e não preciso de religião. Basta-me acreditar em mim mesmo. Hoje acreditamos no homem e nas suas capacidades, acreditamos na ciência e na técnica, na cultura, no bem-estar, no dinheiro e no trabalho.”

Não é raro ouvirmos gente muito convencida falar assim. Para muitos, acreditar em Deus é “ser atrasado”. De facto, o ateísmo contemporâneo, típico da burguesia entusiasmada com o progresso e voltada inteiramente para o material, para o físico e para a exterioridade, revela o espantoso subdesenvolvimento espiritual desta civilização e da sociedade em que vivemos. Imaginai uma vivenda com uma linda fachada e um belo jardim mas vazia, ou, pior ainda, cheia de lixo, desarrumada e atravancada por toda a espécie de tralha misturada com frutos podres e animais em decomposição. Assim é a vida de muita gente sem Deus. Nesta sociedade de consumo, a publicidade repete-nos diariamente de muitas maneiras que a abundância de bens materiais basta para nos fazer felizes. Não é verdade. O homem foi criado para Deus, e só em Deus o seu coração encontra descanso e vida em plenitude.

Quando Deus desaparece da vida das pessoas e da sociedade cresce o egoísmo, a esterilidade espiritual e física, a decadência moral e a corrupção. Expulsando Deus em nome da razão, as pessoas abrem a porta a toda a espécie de superstições e de crenças obtusas e irracionais. Não é Deus que fica prejudicado quando é rejeitado, mas sim o homem que d’Ele se afasta. Geralmente, ao descartarem Deus, os ateus não têm consciência de que apenas rejeitam imagens e ideias redutoras do mistério de Deus. Deus é transcendente. Todos os conceitos e imagens que usamos para falar d’Ele não O podem conter nem definir; apenas apontam para Ele. Pela fé partimos da imagem para a realidade divina, pela fé acolhemos Deus na pobreza das imagens e dos símbolos de que precisamos. Mas não confundimos significante e significado. 

 “Quem se aproxima de Deus deve acreditar que Ele existe”, lemos na Carta aos Hebreus (11,6). Ele que habita na luz inacessível, está para além de tudo o que nós possamos imaginar. Mas, por nosso amor, foi-Se-nos revelando progressivamente na própria criação, na história do povo de Israel e nos oráculos dos profetas e, finalmente, nas palavras e nas obras do Seu Filho feito homem, Jesus Cristo. Assim, não nos basta saber: acreditar é também dar crédito à Sua revelação, é confiar e acolher as palavras que o Deus vivo nos dá por meio dos profetas, do Seu Filho e da Igreja. “Se vos digo a verdade, porque não credes em Mim, porque não me dais crédito?” (Jo.8,46) Assim se queixava Jesus dos judeus de outrora que não lhe davam ouvidos. Acreditar é responder. A fé é resposta do homem à revelação divina.

Diferentemente da religiosidade natural, a fé cristã nasce de escutar e de guardar no coração a palavra viva de Cristo que germina e cresce até que Cristo se forme em nós e realize em nós as suas obras. Trata-se de um encontro pessoal com Cristo ressuscitado que nos leva a ser um com Ele e a viver a Sua mesma vida de Filho de Deus, e a adorar o Pai em espírito e em verdade, no mesmo Espírito Santo. Esta é a fé que precisamos de cultivar nas nossas comunidades e paróquias para que a Igreja apareça diante do mundo como sinal eficaz de salvação para todos, e não como velharia inútil e desprezível.

Tal como o povo de Israel, nós cristãos acreditamos que há um único Deus criador de tudo o que existe. Só a Ele devemos adorar e amar com todo o coração, com toda a alma e com todas as forças e isso implica a rejeição de todas as idolatrias que dividem e fragilizam o nosso coração. Adorar o Deus único unifica-nos interiormente e desperta em nós energias imensas que nos rejuvenescem e tornam fecunda a nossa vida.

Sendo único, Deus não é solitário. Deus é amor, é comunhão de Três pessoas divinas, Pai, Filho e Espírito Santo, é a Santíssima Trindade. O Pai é para o Filho e o Filho é para o Pai, no mesmo Espírito Santo, Espírito do Pai e do Filho. Deus é amor e toda a criação brota deste amor primeiro e proclama a sua glória. Tudo foi criado por Deus Pai: é Ele a fonte da vida. Tudo foi criado por meio do Filho, Palavra eterna do Pai. Por Ele e para Ele tudo existe. E porque tudo foi criado também no Espírito Santo, é o mesmo Espírito que tudo sustenta na existência. É adorando e amando a Santíssima Trindade que aprendemos a ser pessoas, a amar e a viver em comunhão, é pelo Espírito Santo habitando em nós que somos templo de Deus e as nossas vidas se tornam fecundas.

“Creio em um só Deus, Pai Todo poderoso, Criador do céu e da terra”. Ele nos fez, a Ele pertencemos. É Ele quem hoje nos cria e cuida de nós como Pai amoroso e providente, e por isso não podemos ser fatalistas nem pessimistas: nada acontece sem Deus o permitir, e tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus, como ensina S. Paulo (Rm.8,28). Ele sabe tirar o bem do mal, e escreve direito por linhas tortas.

Adoremos a Deus! Deixemo-nos deslumbrar pela glória e pela infinita beleza de Deus, pela Sua imensa bondade, pela Sua omnipotência e pela Sua sabedoria. Confiemos inteiramente n’Ele!    Vive com sabedoria quem respeita a Deus e o Seu santo nome, quem O serve prestando-lhe culto e caminha na Sua presença obedecendo à Sua santa Lei, quem O adora em cada dia e Lhe agradece a vida e todos os Seus benefícios, quem lhe suplica nas necessidades e intercede pelo mundo inteiro, quem Lhe pede perdão e misericórdia quando se sente pecador e indigno da Sua amizade.

Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens”! Prestar culto a Deus e só a Ele, põe-nos no nosso justo lugar, relativiza-nos e relaciona-nos bem com os outros, torna possível a boa convivência entre as pessoas. É impossível haver paz verdadeira onde Deus desaparece e cada um, colocando-se no lugar de Deus, busca a sua própria glória dominando e manipulando os outros. Demos glória a Deus, confiemos plenamente n’Ele, apoiemo-nos na Sua misericórdia e fidelidade. Jesus, o Filho único, ensinou-nos a chamar-lhe Pai Nosso e deu-nos o Seu Espírito. Vivamos como cristãos! Não nos envergonhemos da nossa fé. Aqueles que a desprezam, no fundo, no fundo, têm inveja de nós e precisam da firmeza do nosso testemunho. Vivamos como filhos de Deus! Muitos querem uma fraternidade humana sem Deus. Como poderemos ser irmãos sem nos reconhecermos filhos de um mesmo Pai? E que outro Pai, além de Deus Criador, poderia dar-nos o verdadeiro sentido da nossa vida e do destino do mundo? Acreditar em Deus é uma graça imensa que não podemos rejeitar se queremos realmente viver uma vida digna desse nome, se queremos que o mundo continue a ser habitável.

                                                                        J. Marcos
Quinta, 26 de Fevereiro de 2015