background image
Agenda Diocesana
  ABRIL 2018 
     D S T Q Q S S
01
02
03
04
05
06
07
08
09
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
01
02
03
04
05
Missas
entre as h m
e as h m
Dia:
Época:
Jornal DiocesanoA Santa Sé - Vaticano onlineGaleria de ImagensEnciclopédia Católica PopularEcclesia

IGREJA DE BEJA PROMOVE

ENCONTRO COM AS INSTITUIÇÕES DE SOLIDARIEDADE SOCIAL



Na tarde do dia 17 de Outubro de 2013, no Centro Pastoral de Beja (Seminário), realizou-se um encontro com as Instituições de Solidariedade Social, no contexto do Sínodo que a Diocese de Beja está a realizar. Em resposta ao convite do Senhor Bispo às direcções das instituições e seus técnicos, participaram no encontro mais de cinquenta instituições sediadas na Diocese, perfazendo mais de duzentos participantes.

Foram convidados, para ajudar na reflexão, o Dr. Manuel Lemos, Presidente da União das Misericórdias Portuguesas, o Professor Eugénio da Fonseca, Presidente da Caritas Portuguesa, bem como o Padre Lino Maia, Presidente da CNIS que, por motivos imprevistos, não pode participar.

Depois de uma palavra de agradecimento pela presença significativa das instituições e seus colaboradores, o Bispo da Diocese, D. António Vitalino, passou a palavra ao Presidente da Comissão Sinodal, Dr. António Domingos Pereira, que moderou o encontro. Na sua introdução, referiu que, desde que se delineou a estrutura do Sínodo, foi propósito da Comissão auscultar as pessoas e as instituições que, tal como a Igreja, se ocupam dos que precisam de qualquer tipo de ajuda. Com todos os que estão disponíveis para o diálogo sobre o trabalho no campo social, deseja a Igreja de Beja encontrar formas de melhor servir quem mais precisa. Em ordem ao debate e como orientação para o encontro lançou então as seguintes questões:

1. Que intervenção deve ser a da Igreja no campo social e em particular no interior das instituições de solidariedade social?

2. Como conjugar esforços para rentabilizar recursos, respeitando a identidade de cada instituição?

3. Qual o papel do voluntariado no interior destas instituições?

De seguida, o Dr. Manuel Lemos iniciou a sua intervenção fazendo uma breve resenha da história das Misericórdias em Portugal que, segundo ele, sobreviveram até à actualidade, graças à sua acção activa em favor da solidariedade. Fazendo eco do pensamento do Papa Bento XVI, referiu que a sua missão subsidiária com o Estado há-de estar sempre ligada ao princípio da solidariedade. Por outro lado, os próprios Estatutos das Misericórdias falam de compromissos, aos quais acresce o dever de olharmos para os novos desafios com uma nova fantasia ou seja, com uma imaginação criativa.

A actual crise sem precedentes, desde que há Estado Social (finais do séc. XIX), exige que trabalhemos em colaboração conjunta e impregnados de rigor, eficiência e profissionalismo. Segundo o Dr. Manuel Lemos, a cooperação ou trabalho em conjunto é uma dos maiores desafios, como forma de rentabilizarmos os parcos recursos disponíveis, fazermos mais e melhor com menos dinheiro e prosseguirmos no cumprimento da nossa missão.

A reflexão teve continuidade com o Professor Eugénio da Fonseca, Presidente Nacional da Caritas Portuguesa, partindo do princípio de que, quando falamos de solidariedade com subsidiariedade não estamos perante ideias utópicas porque, segundo ele, acreditamos que é possível mudar as realidades. A própria Doutrina Social da Igreja dá o seu contributo na construção do bem comum, procurando iluminar as realidades com a luz do Evangelho. O crescimento económico é apenas uma parte do desenvolvimento humano, não podendo o homem ter preocupações somente de ordem material e qualquer politica de desenvolvimento tem que incluir a todos, não deixando a ninguém de fora.

Como grandes princípios orientadores a ter em conta nas Instituições Solidárias, O Professor Eugénio da Fonseca, com a clareza que lhe conhecemos, sublinhou o respeito pela dignidade humana, o bem comum, a transparência nos meios ao dispor e a vivência da solidariedade. Segundo ele, a defesa do bem comum implica pensar no futuro e, por isso, é imprescindível a racionalização dos recursos que temos como modo de não hipotecarmos o futuro dos filhos e manifestarmos que temos um grande respeito perante aqueles que nos hão-de suceder. Quanto à vivência da solidariedade, considera-a um dever de cidadania, já que o próximo ama-se tanto mais quanto mais se trabalha em favor do bem comum. A partilha de bens não pode ser a partilha das sobras ou a dádiva do que já não queremos ou não gostamos.

Como critérios a ter em conta sublinhou: a cooperação no desenvolvimento local, apoiada na necessária qualificação dos agentes que colaboram nas instituições, a participação activa na congregação de esforços e na procura de soluções, pôr em causa os próprios métodos, como forma de evitar o perigo dos actos formalizados, do funcionalismo, da burocratização e da tecnização excessiva, geradores de desumanização.

Em jeito de desafios, o Presidente da Caritas Portuguesa referiu que a leitura atenta da realidade apela a respostas inovadoras, reinvenção de novas solidariedades ou novas opções de caridade. Citando o Papa Francisco, no início do seu Pontificado, terminou a sua intervenção aludindo à necessidade de sermos guardiães da vida, não deixando que os sinais de morte cresçam e manifestem a sua força, bem como o indispensável aprofundamento da identidade das nossas instituições, para que não nos desviemos nunca da razão da nossa existência.

Na parte final, tempo de diálogo entre a plateia e os convidados, muitas foram as preocupações manifestadas, das quais salientamos: o trabalho e a falta de tempo dos filhos, geradores de uma certa solidão e ausência da família experimentada nos Lares, e inclusive, na hora da própria morte, a alternativa que o voluntariado e a própria Igreja poderão proporcionar, a sustentabilidade das instituições, a qualidade e respeito perante as regras da sociedade, a capacidade de adaptação às novas e permanentes exigências, o profissionalismo como competência, que exige ter um grande coração para amar, o voluntariado com alegria, sem amadorismo e nada esperar em troca, etc.

A terminar, o Senhor Bispo agradeceu a todos os presentes terem aceite participar neste encontro e à sua organização, que nos permitiu aprender uns com os outros. Os assuntos abordados são extremamente actuais e devem ajudar a quantos têm responsabilidades acrescidas na gestão e normal funcionamento das Instituições de Solidariedade.   

                                                                                    António Novais Pereira

Quinta, 12 de Fevereiro de 2015