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 Nota da semana – 11.01.2010 - Casamento e casamentos  
Enviado por: Diocese1 - Terça, 12 de Janeiro de 2010
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Temos de continuar a lutar e manifestar o nosso pensamento, sem fazer acepção de pessoas ou marginalizar as minorias. Respeitando-as e dando-lhes espaço para viver dignamente as suas opções, desde que não impeçam as nossas, teremos de promover o casamento heterossexual e a família dele resultante, pois só este contribui para o desenvolvimento integral da nossa sociedade e dará segurança...

Na sexta-feira passada, dia 8 de Janeiro, o nosso Parlamento aprovou o casamento de homossexuais, mas não lhe deu o direito de adopção de crianças e recusou o pedido de referendo sobre essa matéria, apesar das 93.000 assinaturas que o pediam, quando 75.000 seriam suficientes. Em nome da igualdade de todos os cidadãos no que se refere aos direitos fundamentais, cometeram-se várias desigualdades: primeiro, igualando aquilo que é, por natureza, desigual, o casamento de pessoas de sexo diferente e a união, digo casamento, de pessoas do mesmo sexo; em segundo lugar, recusando ao segundo aquilo que é fundamental no casamento: constituir família e fazê-la crescer, de modo natural ou artificial; em terceiro lugar, cidadãos que se movimentaram no sentido de cumprir a Constituição para requerer o referendo não são considerados.
Independentemente do que cada um pensa, com ou sem razões justificativas, julgo oportuno reflectir sobre os jogos políticos dos nossos representantes eleitos, que cedem a pressões de lóbies ou interesses pessoais, mesmo que isso vá contra o senso comum ou o comum sentir da maioria dos cidadãos. É certo que os partidos da esquerda tinham este assunto no seu programa eleitoral, mas também é óbvio que não se vota ou deixa de votar num partido só pelo facto de o seu programa ter alguma coisa que não nos agrada. Se assim fosse, não se votava em nenhum, pois será difícil contentar toda a gente. Mas são estas e outras coisas semelhantes que vão desviando o cidadão comum da participação política. O facto de os promotores do referendo terem sido postos de parte por uma simples votação no Parlamento, vem desmotivar ainda mais os cidadãos da vida pública. Afinal parece que nem todos estão interessados nessa participação. Só na altura das eleições se roga e promete mundos e fundos, para conquistar o voto do povo. Uma vez no poder, não interessa o que o povo pensa, deseja ou pede.
 
É claro que neste momento não podemos perder tempo e energias em grandes discussões sobre assuntos que não resolvem os principais problemas que atravessa o país e o mundo. Mas tratar desses assuntos periféricos em relação à crise actual numa altura destas, até parece que é para desviar as atenções das dificuldades que atravessamos e ocupar as pessoas com assuntos que ferem a sua sensibilidade. Afinal, continua a praticar-se o que se criticava no anterior regime, dizendo que alienava o povo com os 3 “efes”: futebol, fado e Fátima. Já os romanos diziam: divide e reina.
Apesar de tudo isso, os cristãos têm direito a ouvir os seus pastores sobre estes e outros assuntos, para que não pensem que a democracia resolve todos os nossos problemas e nos obriga a pôr de parte as nossas convicções profundas.
Vivemos num estado democrático e temos de respeitar as decisões dos eleitos democraticamente, embora podendo delas discordar. E neste assunto, como noutros, discordarei. Quando houver alternativas credíveis, a maioria das pessoas de bom senso, como são os portugueses, poderá manifestar o seu pensar. Até lá, temos de continuar a lutar e manifestar o nosso pensamento, sem fazer acepção de pessoas ou marginalizar as minorias. Respeitando-as e dando-lhes espaço para viver dignamente as suas opções, desde que não impeçam as nossas, teremos de promover o casamento heterossexual e a família dele resultante, pois só este contribui para o desenvolvimento integral da nossa sociedade e dará segurança, confiança e esperança à geração dos mais velhos, que já não pode voltar atrás, para corrigir eventuais lacunas. Se em nome da igualdade de todas as pessoas perante a lei, os Estados não protegerem os casais com descendência, então sucumbiremos todos na igualdade da morte, sem ninguém para nos acompanhar e levar ao cemitério.
Visão pessimista ou chantagem, dirão alguns. Nada disso. Nivelar por baixo ou por cima, tentando igualar o que é desigual, não só é injusto, mas fatal. Os exemplos de civilizações ancestrais que desapareceram poderiam ajudar-nos a sermos mais ponderados nas decisões que tomamos, despertar-nos para uma vida mais austera e no respeito pela natureza biológica, mas com futuro, em vez de, em nome do progresso e da modernidade, minarmos as possibilidades desse futuro neste planeta terra, onde até agora a sociedade evoluiu pelo acasalamento harmonioso de dois seres de sexo diferente e complementar, e não pelo acaso da evolução das espécies. A igualdade do género não significa a eliminação das espécies.
Embora alguém pense que a Bíblia é um manual de maus costumes, no entanto far-nos-ia bem ler e reflectir sobre aquilo que ela nos diz sobre a vontade de Deus acerca do ser humano, logo nas suas primeiras páginas: criou-os homem e mulher, para que fossem os dois uma só carne, crescessem, se multiplicassem e povoassem a terra (Gn 1, 27-28). Espero que assim continue e o bom senso impere entre a maioria dos portugueses.
 
Por hoje fico-me por aqui. Um bom dia e até para a semana, se Deus quiser.
 
† António Vitalino, Bispo de Beja

 
   

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